- Postado pelos Estudantes |
quinta-feira, 9 de agosto de 2007


Entre plumas vermelhas

O vento gélido daquela madrugada de verão ara atípico. Apesar de estarem em um país nórdico, não era comum fazer tanto frio assim naquela época do ano. Ele soprava fortemente contra a vidraça do quarto mal-iluminado, fazendo ruídos fantasmagóricos.

A morena batucava impacientemente a ponta da pena na escrivaninha em que se debruçava. Olhava fixamente para parede vermelha a sua frente, sem nem ao menos piscar, varrendo sua mente a procura de alguma informação suficientemente interessante para ser descrita.

Seus olhos começavam a arder e ela se viu obrigada a baixar o olhar para o pergaminho. Havia apenas duas linhas escritas, ela leu e releu, sem realmente se concentrar, mas mesmo assim concluiu que eram frases vazias e sem nexo. Amassou o papel e jogou para trás de si.

Esfregou os olhos com as costas das mãos, o relógio ao seu lado marcava seis e meia da manhã. Não, não estava inspirada a escrever, pelo menos não naquele momento... na verdade, mal sabia o que gostaria de fazer.

Não se preocupava com o fato de estar congelando na cadeira e nem de que não dormira a noite inteira e, muito menos, com a idéia de que dali a algumas horas estaria sendo mandada para Durmstrang.

A última perspectiva causou-lhe um calafrio. Odiava aquele colégio com todas as suas forças, não queria voltar para aquele lugar cinzento e escuro e ter que passar mais um ano de sua vida sem poder sair.

Levantou da cadeira com a intenção de se jogar no tapete.

Era um quarto amplo e aconchegante. Havia uma cama de casal encostada na parede ao lado da porta, era coberta por um edredom vermelho escuro e sobre ela estavam algumas almofadas e montes de roupas e livros que deveriam ser guardados dentro do malão da escola, que podia ser encontrado aberto logo ao lado. Um grande guarda-roupas do outro lado do quarto estava com as portas abertas, enquanto a parede lateral era quase completamente ocupada por uma grande porta de vidro, escondida por uma cortina vermelha, que dava acesso a varanda.

Ao contrário das outras paredes brancas, aquela que se encontrava opostamente a da janela era da mesma cor do edredom e da cortina, ali se encontrava a escrivaninha, empilhada de penas, tinteiros e pergaminhos amassados. Basicamente.

Na poltrona ao lado da escrivaninha um pequeno bolinho de pêlos avermelhados dormia tranquilamente, seu nome era Kiev.

E, finalmente, atirada sobre o tapete branco e macio encontrado no centro do quarto, Victoria revirava-se inquietamente, até que enfiou o rosto na almofada jogada por alí, sem se preocupar em catar um pedaço de pano qualquer para se cobrir.

[...]

Abriu os olhos, mas se arrependeu profundamente depois ao ser cegada pela claridade vinda da janela, a governanta devia ter aberto as cortinas. Realmente, alguém havia arrumado a bagunça no quarto, concluiu a menina levantando a cabeça e olhando ao redor.

Dirigiu-se ao banheiro e encarou a imagem refletida no espelho: estava toda descabelada e com uma terrível cara de sono, bem... para a parte do “descabelada” existia solução. Voltou ao quarto, o relógio informava que já seriam nove horas.

Surpreendeu-se por ainda não ter sido chamada para o café ou coisa parecida, talvez um “você vai perder o transporte para escola se não levantar imediatamente”.

Saiu do quarto e desceu as escadarias daquela gigantesca casa, seguindo o rumo da cozinha.

- Onde Ian e Kathryn foram? –esta foi a primeira pergunta feita aos dois elfos que trabalhavam no local. Estava acostumada chamar os pais adotivos pelos nomes verdadeiros, nunca se sentira a vontade com as palavras "pai" e "mãe".

- Saíram, senhorita, e mandaram avisar que a senhorita deveria estar pronta até as nove e meia porque seria levada para o colégio por alguém do trabalho do meu senhor –o jovem elfo de grandes olhos cinzentos e orelhas pontiagudas falou tudo muito rápido e de uma vez só, fazendo uma exagerada reverência quando terminou.

- Ahm, obrigada Kolski...

Pegou a primeira coisa que achou na fruteira e correu escadaria acima.

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By Vicky


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